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“... clinicamente, estão mortos, mesmo que continuem se movendo. Mesmo que seus corpos estejam secos.”

Corpos Secos é o novo lançamento de abril da Editora Alfaguara, escrito pelos autores Luisa Geisler em conjunto com Marcelo Rocha Ferroni, Natalia Borges Polesso e Samir Machado de Machado

É uma ficção com ares de distopia, na trama acompanhamos cinco personagens com pontos de vista, eles narram os acontecimentos brutais em suas vidas. Um vírus estranho foi espalhado pelo Brasil, - sim um pouco irônico esta trama estar tão parecida com a realidade do mundo – o vírus baculavirus anticarsia, provoca uma doença que eles chamam de síndrome de Matheson-França, popularmente conhecida como corpo seco.

A trama se parece tanto com a realidade em alguns pontos que foi sombrio ler, a população se recusou a acreditar nos alertas sobre o vírus, o caos então se espalhou, a doença foi se alastrando de uma forma não imaginada. E é nesse caos que começa a trama do livro.
Com os protagonistas tentando que lutar pela sobrevivência em um país em colapso total e fugindo dos sequinhos.

Vejam bem, aqueles que são contaminados simplesmente não morrem... Eles permanecem não vivos, e com um novo e peculiar desejo por carne humana.

Podem pensar em zumbis... Parece, mas tem algumas diferenças, que deixarei para vocês descobrirem enquanto lêem.

“Dizem que o processo pode variar de acordo com o metabolismo da pessoa e a quantidade de esporos com que entra em contato. Em média, vai de dores e inchações a trombose e dela para a morte cerebral em pouco mais de quarenta e oito horas, e quando chega ao dito estado feral...”

Os protagonistas são totalmente diferentes um do outro, e por isso ler sobre como eles estão lidando com todos os horrores que estão passando foi muito intenso.

Mateus, um jovem que carrega um grande peso e importância para toda a humanidade; Murilo, uma criança que precisa aprender a seguir em frente; Regina, uma mulher que descobre da pior forma possível, o quão perigoso pode ser os humanos em momentos de caos; Constância e Conrado dois gêmeos tão diferentes um do outro como o dia e a noite, vão descobrir do que são forjados...

Cada história particular deles é escrita de uma forma que você não consegue deixar de se imaginar, como seria se fosse com você. Todos são pessoas absolutamente normais, sem grandes profissões ou talentos mirabolantes, e mesmo assim, ali estão eles em meio a uma possível situação de apocalipse.

A trama é de leitura rápida, cada um dos personagens possui seus pontos de vista, e uma forma diferente de escrita pode ser percebido. O que é respondido pela presença de tantos autores escrevendo juntos, acredito que cada um foi responsável pela narrativa de um personagem enquanto cada uma das sub-tramas convergiam para uma união.

É também, acredito que um primeiro livro, já que o final dele termina de um modo que é impossível não se perguntar... E agora? O que vai acontecer? O que está acontecendo? Tantas perguntas...

Corpos secos é um ótimo livro nacional, que foi escrito e se passa em tempo atual, existem muitas referencias as situações políticas atuais no Brasil, e descrições de cidades e locais muito conhecidos.

“A gente corre. A gente respira pesado. Quando a mãe bota a arma na minha mão. Tem uma casa, na beira da estrada. É bonita a casa. E a gente começa a abrir o portão de uma casa na beira da estrada. Eu choro. E eu não sou mais uma criança. A mãe chora. A bebê chora. Eu choro, olho para as duas e sei, porque não sou mais criança, que tenho que deixar que chorem. Que eu chore.”

Recomendo para que gosta de um drama de sobrevivência, com uma trama forte e emocional. Há cenas bem fortes, e aviso aqui que existe violência e gatilhos com violência sexual – porém, muito bem escritos e nada sensacionalista ou apenas para chocar por chocar.

Ótimo livro, e torço para que tenham outros.

Até a próxima e ótima experiência de leitura para todos.

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Quando peguei esse livro para ler a primeira coisa que chamou minha atenção foi ele ter sido escrito por quatro pessoas diferentes. Então já imaginei que viria por ai um livro muito bem escrito. Segundo, foi ele falar sobre uma doença que dizimou boa parte da população. No cenário atual esse tipo de enredo chama a atenção. Mas ao começar a ler vi que nada mais era que um livro de zumbis, que no caso os zumbis são chamados de Corpos Secos. Não temos uma explicação de como tudo começou, só o que está escrito na sinopse, não temos uma linha de tempo e não temos um final. Só o que temos são a narrativa de alguns sobreviventes, que não traz nada de novo para a história e não chega a lugar nenhum. O personagem mais interessante é um infectado que está sendo estudado porque ele apesar de ter a doença, não apresenta nenhum dos sintomas. Dai são páginas e mais páginas mostrando até onde chega a maldade do ser humanos. Infelizmente nada de novo que eu já não tenha visto sendo abordado com maestria em outros livros do gênero, inclusive nacionais. Se tiver uma continuação, porque precisa de uma visto a forma como terminou, eu ainda não sei se lerei.

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